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ARTE DE CONTAR E OUVIR
HISTÓRIA
Por Fernando Seth
Quem nunca ouviu uma
história fascinante? Daquelas que ficam grudadas no coração e que às vezes podem até
mudar uma vida. Elas, as histórias, são as precursoras do cinema e a televisão, dois
dos maiores símbolos da era moderna. Encantam tanto porque tocam em algo que só nós
humanos possuímos, a imaginação.
Essa tradição, e ao mesmo tempo uma arte, perde-se no tempo, é tão antiga quanto o
próprio homem.
Contar histórias era uma maneira de divertir, de estimular a união e principalmente uma
forma muito eficiente de ajudar o ser humano em sua busca de autoconhecimento e
compreensão do mundo que o rodeia.
É uma arte perdida, que precisa ser resgatada.
A História de Sherazade
As mil e uma noites são as famosas e irresistíveis histórias inventadas e preservadas
pela tradição oral dos povos da Índia e posteriormente da Pérsia. Seu autor é Antoine
Galland, que se baseou num texto sírio datado do século XIV.
Mil e uma noites é o tempo em que Sherazade, mulher "experta", corajosa e
determinada teve sua cabeça a prêmio.
Conta-se que num antigo reino, um sultão extremamente cruel e movido pelo ódio às
mulheres, tinha à cada noite uma companhia feminina diferente. Depois de usufruir de
todos os prazeres que uma mulher pode proporcionar, e sem oferecer nenhum tipo de afeto em
troca, executava sem piedade sua amante marcada para morrer. O terror se espalhou pelo
reino, toda noite a filha de algum súdito conhecia a morte precedida pelo amor fugaz.
Sherazade conseguiu o impossível, remover do coração do Sultão todo o ódio e amargura
que o corroíam. Apenas sua beleza não podia ajudar, era preciso uma estratégia hábil e
ao mesmo tempo sutil. Dotada de um domínio raro das palavras e de uma memória que
desafiava o tempo, seduziu seu carrasco com uma história que se iniciou numa noite e foi
sendo recriada outras mil vezes. Querendo conhecer o desenlace das tramas, o sultão
poupava Sherazade sempre para a madrugada seguinte. Assim como nós, ela conseguia adiar
sua morte. No milésimo primeiro dia, o sultão descobriu que amava aquela mulher,
revelando o poder da palavra.
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18/12/2000 - Ikebana
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